O POEMA VENCEDOR: A travessia No barco raso, o passo escasso do sol traça reflexo no braço da água, e o menino disfarça um riso que enlaça o sonho e o casco que balança, no silêncio da garça que dança, e avança sem pressa. Remo em punho, punha o olhar na curva líquida. Sob a luz, lânguida, deitava-se nas costelas do rio. O menino esguio moldava a hora mítica e íntima, vendo garças como lâminas brancas bailarem em trio. Tocavam o bico na beira deste tempo, em ciclo, e cada mer