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PRATA DA CASA | CONHEÇA OS SEMIFINALISTAS: MAURO ANDRÉ OLIVEIRA




SOBRE O AUTOR


Com formação superior em Letras e Direito, o autor dedica-se ao cultivo da escrita literária escrevendo poesias, contos e crônicas. Por duas vezes semifinalista no prestigiado "Prémio Internacional Pena de Ouro", o autor tem obras publicadas em antologias de diversas editoras, sites e revistas literárias, e também já foi premiado em alguns concursos em modalidades e gêneros literários variados, como Poesia, Trovas, Sonetos, Literatura de Cordel, Contos e Crônicas. É colaborador permanente do blog “Escritor Brasileiro” (escritorbrasileiro.com.br), e também é autor do livro “COLETÂNEA SONETO DE SÁBADO – Vol. 1”, que reúne uma parte do acervo de sonetos que vem há algum tempo compartilhando em sua página pessoal no Facebook (facebook.com/mauroandre.oliveira.5).



A CRÔNICA SEMIFINALISTA


Às vezes


O Dicionário de Antônimos online assinala que o significado oposto à expressão “às vezes” é — pasmem! — “muito”. Às vezes me pego estudando antônimos, o que significa que os estudo “pouco”. Pensava eu que o sentido dessa locução adverbial estivesse relacionado mais à recorrência da circunstância do que à sua pouca frequência. Às vezes me sinto contrariado. E não são poucas vezes. Mas como nem sempre me sinto contrariado, não posso também dizer que ando muito contrariado. A despeito da sua inevitabilidade, não tenho condições de mensurar esse sentimento em muito ou pouco, mas apenas de conferir-lhe existência.

Dou um clique sobre o “muito” para conhecer seu sentido oposto. Muitos são os antônimos de “muito”, sendo os principais: “pouco”, “nenhum” e “nada”. Nesse diapasão (como diria meu professor de direito penal), depreende-se que a locução “às vezes”, além de referir-se a algo pouco usual, pode significar também “nenhum” ou “nada”. Às vezes amo e às vezes odeio; às vezes rio e às vezes choro; às vezes está tudo bem e às vezes tudo está uma droga (como os caras da versão-brasileira-Herbert-Richers costumam traduzir shit para o português). 

Esses adversos sentimentos e sensações são comuns a toda a espécie homo sapiens (desnecessário perguntar quem nunca experimentou o sofrimento e o prazer). Estão à espreita, e uma hora ou outra vão nos apanhar (o que fatalmente afasta o “nenhum” e o “nada”), mas talvez nem todo dia (o que rechaça também o “muito”). Podemos, então, concluir que o “às vezes” tem um caráter de transitoriedade. O normal é nem sempre estarmos tristes ou felizes, rindo ou chorando, amando ou odiando, mas apenas uma vez ou outra na vida; ou seja, às vezes.

Contrariado, porém, às vezes fico. Não tem jeito! A não ser que eu vire um ermitão e mude para um lugar longe de tudo e de todos (considerando-se, nessa hipótese, que as fagulhas do passado que fustigam a alma de pronto se arrefecerão), é improvável eu não ficar contrariado. Não obstante, não consigo calcular essa sensação em longa ou curta, fraca ou intensa, refreável ou irreprimível, mas apenas em “às vezes”. Gostaria de “nunca” ficar contrariado, de em “nenhum” momento me sentir contrariado. Mas tão certa quanto a morte é a contrariedade (definida como um desgosto ou aborrecimento com algo ou alguém, um troço humanamente inevitável), mas que só nos ocorre às vezes. E, de acordo com o dicionário de antônimos, “às vezes” nada mais é que o contrário de muito (no caso, “pouco”). Graças a Deus!


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