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PRATA DA CASA | CONHEÇA OS FINALISTAS: RICARDO FRANGIOTTI




SOBRE O AUTOR


Natural de São Bernardo do Campo, região metropolitana paulista, tentou sem sucesso as Engenharias e parou no serviço público. Está em constante busca formal por sínteses clássico-modernas, bem como por formas que se insinuem no caminho. Participou, com o poema "Emotivo", da Antologia 1001 Poetas, da Casa, e publicou, em 2023, a coletânea lírica Insuferável (Opera Editorial). Já o poema finalista do Prata da Casa integra um projeto (em gestação) que mira em formas contemporâneas de povoar a paisagem épica.



O POEMA FINALISTA


Bellatrix



Tiveste berço antigo, muito antigo

Com Enheduana, Ištar, mais os mortos;

Não tens, porém, a marca dum umbigo

– de infante, teus caminhos sempre tortos.


Conceberam-te deuses, imortal,

Nasceste epos, cresceste junto à lira;

Tua controversa índole, que é tal

Que encontras a verdade com mentira,


Abençoada mentira, abençoada,

Que do Hélicon desceu-nos como regra,

E desde então no mundo tem morada,

E revolta, apazígua, fere, alegra!


Geraras mundo, céu, desolação;

Contaras-nos de heróis e de batalhas,

Jornadas que tiveram, que terão;

Alimentas irmãs, o belo entalhas.


Ao fero inferno escapas, quase ilesa

Das torturas dos ímpios deserdados,

Ganhando o Paraíso e sua beleza,

À humanidade dando novos fados;


Resististe às viagens, descobertas,

Aos mares revoltosos, aos navios,

Levando às costas cruzes, tendo abertas

Nacionais chagas, glórias, atavios.


Lutaste toda guerra – justa, escusa

– sem por isso juntar ouro nem prata;

Teu corpo serve a quem tanto te abusa,

Venceste o ditador e o democrata!


Teu seio traz as máximas; exprime-as,

Somos ouvidos! Vem arrefecer-nos!

Metáforas do Ser, e metonímias,

Vêm e voltam aos reinos sempiternos!


Por vezes tu te escondes, por tua vida,

Por vezes, sussurrada só, ou muda;

Por outras, já bradada e nunca ouvida,

Sem ter humana língua que te aluda!


Pois do homem és, o santo, o pecador,

És do mundo e do céu, trazes refresco;

Quem ouse pela pena te compor

Flertará no sublime e no burlesco.


Vencerás o que for, diva Poesia,

Vencerás mesmo ao veres-te perdida;

Tua morte só virá no triste dia

Em que não mais houver humana lida.


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