top of page

PRATA DA CASA | CONHEÇA OS SEMIFINALISTAS: LUAN BARBOSA




SOBRE O AUTOR


Jornalista, paraibano e amante das palavras, Luan encontrou na escrita uma válvula para a própria sanidade emocional. O poema "Promessas" faz parte de seu livro independente "A maré que me arrasta",  uma coletânea de sentimentos que nos afoga nos tempos atuais.



O POEMA SEMIFINALISTA


Promessa


A promessa do teu amor me basta

porque me descola da banalidade que é viver são.

É como se, ao tocar tua sombra,

eu mergulhasse entre o concreto e o abstrato,

entre o palpável e o fugaz.


Intencionado o suficiente para quase alcançá-lo,

mas distante o bastante para não ser diluído pela tua essência.

Como poderia desejar tua materialização

se isso significa profanar o espaço intocável que criei pra ti?


Me basta o poder de inscrever teu nome

nos espaços vazios da minha existência,

concebendo-o a cada respiração, 

sem lugar para a ausência.


Sussurro teu nome sob a efêmera luz da lua,

observando as estrelas e fazendo-lhes juras,

sem a obrigação ou aptidão para cumpri-las.


Não suportaria, minhas pernas tremem apenas diante

da possibilidade de conhecer-te através do toque

ou de descobrir em teu cheiro o cuidado que tens comigo.


Secretamente, cruzo os dedos enquanto murmuro preces

a um Deus que talvez sequer exista para me ouvir. 

Peço-te, mas não te quero. 


Algo em mim diz que minhas artérias cederiam

sob a intensa pressão do amor,

pressinto a garganta se contraindo,

uma gota de suor gélido que se forma nas têmporas, 

prestes a arruinar tudo.


Se um vislumbre da tua completude me toca,

começo a me desfazer mental e fisicamente,

como alguém que se lança em direção a um vulcão em fúria.


Que Deus me poupe da angústia de acariciar teus cabelos dourados

ou de acordar ao teu lado em uma manhã qualquer,

testemunhando a promessa da felicidade real.


Quase consigo sentir a sanidade escorrendo pelos meus olhos

quando imagino teu ouvido junto ao meu peito,

ouvindo um coração frenético tentando escapar

de um corpo incapaz de conter tanto afeto.


Um. Dois. Três. 

Respira fundo, abre os olhos. 

Permanecemos como promessas. 

Ainda nos falta a urgência da pressa, 

e talvez seja esse o amor que nos interessa.


6 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page