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PRATA DA CASA | CONHEÇA OS SEMIFINALISTAS: PATRICK PESSOA

Atualizado: 14 de jun.


SOBRE O AUTOR


Patrick Pessoa nasceu em 1994, na cidade de Botelhos (MG).


É graduado em Design Gráfico e em Produção Audiovisual, pós-graduado em Comunicação e Marketing e pós-graduando em Literatura Infantil.


Autor dos livros "Sniper Fantasma", "F.ilho d.o P.aradoxo", do conto "Metalinguagem" e da crônica, semifinalista do 1º Prêmio Prata da Casa, "Sua Formiga!".


Vive na cidade de São Paulo há mais de 13 anos e, atualmente, mora com sua noiva e com um gato peludo chamado Jake.


A CRÔNICA SEMIFINALISTA


Sua Formiga


Imagine o seguinte, por volta do século XV, criou-se uma colônia de formigas no meio de um deserto, no Turcomenistão, que nunca teve contato com qualquer ser humano. Ano após ano, década após década, as formigas dessa colônia nascem e morrem, sempre seguindo suas rotinas de formiga, com a perspectiva de 1 ano de vida, do início ao fim.

Então, num dia X de mil novecentos e bolinha, um andarilho, buscando explorar regiões remotas do planeta, acaba se perdendo e passa por essa colônia de formigas com suas grossas botas e sua grande mochila.

As formigas que, até então, nunca tinham visto um ser como aquele, ficam impressionadas. O homem passa com um andar rápido e some de vista.

Desde então, assim como nos séculos passados, nenhum outro ser humano é visto por elas até os dias atuais.

Essas formigas não fazem ideia do que é o mar. Elas não fazem ideia do que é a internet. Nem imaginam a possibilidade de existir uma lasanha congelada.

Você que está lendo isso, assim como o andarilho, é um ser humano. Você sabe da existência de formigas e do Turcomenistão. Talvez não tanto do Turcomenistão, mas certamente de formigas.

Você está sempre planejando ir à praia. Ou talvez você odeie praia. Quando tira a lasanha do micro-ondas, antes de assistir Netflix, talvez você nem pense sobre a relevância da internet, de tão comum na sua vida que ela acabou se tornando.

Bastaria ler um artigo, encontrado no Google, que você saberia tudo sobre colônias específicas de formigas do deserto de Caracum.

Para as formigas, você, ser humano, poderia ser considerado um Deus. Você é maior, mais inteligente, mais forte e tem mais conhecimento do que uma formiga.

Agora, uma pergunta: você iria até o meio do Turcomenistão expor a sua presença divina para as formigas daquela colônia?

Provavelmente, você nem cogitaria adestrar ou ensinar algo para uma formiga, pois está ciente de que elas são seres insignificantes.

Vamos fazer uma analogia?

O andarilho é Deus, o Turcomenistão é o planeta Terra e a formiga é… você.

Desde mil novecentos e bolinha, a lenda do andarilho é passada de formiga pai para formiga filho. Algumas formigas, hoje em dia, desconfiam dessa lenda e afirmam que não passa de uma mentira. Os inúmeros podcasts de formigas atingem números exorbitantes de visualizações, com debates entre os crentes e os descrentes. Batalhas mortais são travadas pelo formigueiro em nome do andarilho. Com o avanço da tecnologia, as formigas descobriram outros formigueiros e, nesses outros, novas histórias sobre o andarilho são encontradas, mas, pasmem, não sobre o mesmo andarilho.

Talvez a pergunta que deveríamos fazer, desde sempre, não seja se Deus existe ou não, mas, sim, se ele se daria o trabalho de viajar até o nosso formigueiro para expor a sua presença divina, ao invés de ficar em casa, nas nuvens, assistindo Netflix enquanto saboreia uma apetitosa lasanha congelada.



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