O POEMA FINALISTA: CRISES Tudo que medra. O aço do tempo, a ferrugem dos desabamentos, a testa que tomba da cabeça d’água, o joelho da queda que atesta o pé de vento. Tudo que apenas empresta paúra, detona ruína, obstáculo mágoa desovando os estragos. Toda repentina penúria. Tudo que arde e se faz ruptura. Toda sina que despenca em dias de chumbo sem fundo. A sede seca da garganta de nordestina noite de cacto e pedra. Todo fortuito e petardo, toda queimada larga e rua escura,