3º Prata da Casa | CONHEÇA OS FINALISTAS | Maria Tayna Alves Ferreira (Categoria Poema)

SOBRE A AUTORA:
Sou cearense, tenho 26 anos e carrego minhas raízes na forma de ver o mundo e uma imensa saudade do mar, pois moro há um ano e meio no Paraná, terra dos pinheiros e um frio que ainda me surpreende. Pela minha paixão por descobrir acontecimentos passados e xeretar a vida de figuras relevantes ao redor do mundo, me formei e pós-graduei em História. E hoje me encontro iniciando uma nova jornada acadêmica, cursando Secretariado Executivo Trilíngue na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Nutro um carinho profundo pelo Brasil e, especialmente, pela cultura nordestina.
Fui dançarina de quadrilha junina por um bom tempo e pratiquei capoeira alguns anos atrás. Tenho o violino como hobby, uma prática em que ainda não sou muito boa, e escrevo movida pelas minhas emoções mais intensas, encontrando na poesia uma forma de dar corpo ao que sinto e me refugiar em meio ao caos.
O TEXTO:
Sem aviso
Entre o frio que encurta os dias
e o calor que dilata a pele
eu atravessava o tempo
como quem aceita a dor pequena
de algo cravado
sem lembrar quando entrou.
As horas repetiam seus gestos.
O café tinha o gosto exato
do que não surpreende
e o céu cumpria
apenas a função de ser céu.
Quando a primeira água
tocava o chão em brasa
subia um cheiro antigo —
não era memória inteira,
era quase:
o forno aceso,
a tarde em suspensão,
a espera muda
de que algo crescesse.
Havia dias da cor do pó,
opacos.
E eram todos.
Até que, uma vez,
o escuro falhou.
A nuvem mais densa
clareou por dentro
como um candeeiro esquecido,
aceso fora de hora,
e o azul desaprendeu
o nome que tinha.
E eu não sabia
se queria enxergar.
Sem aviso,
aquele dia
se repetiu.
Desde então
o mundo não responde mais
às mesmas cores.
O tempo aprende a esperar
e eu caminho atento:
qualquer instante
pode me atravessar
sem aviso
e, ainda assim,
cheirar a casa.





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