3º Prata da Casa | CONHEÇA OS SEMIFINALISTAS | Marina Barroso (Categoria Poema)

SOBRE A AUTORA:
sou uma contadora de histórias (que adora parênteses). advogada que não advoga, sou fã do mar (culpa do meu determinismo nominal), dos animais e de gente, tudo junto e misturado. não abro mão da minha liberdade e tenho uma insaciável sede de coisas novas. aprender a ler e escrever é a coisa mais mágica que já aconteceu comigo.
O TEXTO:
Peixes no ano de cavalo: inventávamos algo
tudo nadava para um novo,
ainda um profundo desconhecido.
a pele não era mais pele,
enrugava-se na tentativa de virar escama.
cobra?
peixe?
peixe-cobra?
sabia disto:
não éramos humanos,
eu e tu.
depósitos de oxigênio não eram mais os pulmões.
sentia-se que a água era um esboço de resposta.
para qual pergunta,
afinal?
não sei,
sei pouco,
sei agora menos ainda.
à onipresente-mediadora:
que estranheza pensar que houvera tempo em outras matérias.
o prelúdio fora diferente:
com pernas,
braços,
mãos,
dedos.
nascia o meio com
brânquias,
nadadeiras,
caudas.
o epílogo já era indefinível,
nossa natureza animalesca só descobrimos no ponto final.
até lá,
nado naquele instante eterno.
devagar e, por isso, tão veloz.
leve, e de silenciamento do que não existe de forma autônoma.
ouvia-se, tão só,
os sons emitidos antes da invenção da palavra.
e isso, por si só,
já foi a invenção de alguma coisa.





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